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Durante muito tempo, a pergunta que travava o avanço da agricultura regenerativa era direta: será que isso dá resultado? Para Daniela Mariuzzo, PhD e especialista internacional em finanças sustentáveis, essa pergunta já tem resposta. E é justamente por isso que um novo questionamento passa a ocupar o centro do debate.
“O desafio da agricultura regenerativa não é mais provar que ela funciona. É construir os mecanismos financeiros e de mercado capazes de sustentar essa transformação em escala”, diz ela.
Essa visão vem de uma trajetória de mais de 20 anos passando por bancos, indústrias e cadeias produtivas. Rabobank, IDH – The Sustainable Trade Initiative e Monsanto fazem parte da sua história. Hoje, Daniela atua como consultora especialista em Risco Socioambiental para Instituições Financeiras na International Finance Corporation (IFC), braço financeiro privado do Banco Mundial.
Por conhecer bem os dois lados, o do dinheiro e o da botina no barro, sua leitura sobre o Reg.IA carrega um valor especial.
O campo já mostrou resultado. Falta o dinheiro acompanhar
O Reg.IA, Consórcio de Agricultura Regenerativa da América Latina criado pela Produzindo Certo, chega ao seu segundo ano em 2026 e já tem números que comprovam esse avanço: são 54 mil hectares monitorados entre Cerrado e Amazônia, uma pegada de carbono 66% menor da soja em comparação com a média nacional e uma produtividade 15% acima da média do país.
Com esses resultados na mão, a pergunta muda: por que o mercado ainda não paga por um trabalho que já entrega tanto?
É aí que entra a segunda parte da análise de Daniela. “A agricultura regenerativa já gera valor sistêmico enorme para produtores, para compradores, para o clima. Mas uma parte significativa desse valor ainda não retorna ao produtor. O mercado reconhece, precisa mas ainda não paga”, explica.
O valor está ali, para todos verem. O que falta é um caminho claro para que esse valor volte para o produtor que corre os riscos da transição tecnológica e entrega a mudança no campo.
“Se o valor ainda não tem preço definido, a demanda por ele já existe e vem de clientes globais das empresas brasileiras”, observa Daniela.
Grandes marcas globais de alimentos já pedem aos seus fornecedores brasileiros dados verificados sobre rastreabilidade e redução de emissões. Regras como o EUDR, o CSRD e as exigências ligadas ao Escopo 3 já pesam nas decisões de compra hoje, e é essa cobrança vinda de fora que empurra a cadeia inteira a se mexer.
Agora o tema da agricultura regenerativa deixa de ser só uma pauta ambiental e passa a valer também como diferencial de mercado.
Essa leitura ganhou reforço oficial em julho de 2026, quando o Ministério da Fazenda publicou um guia sistematizando os principais ativos ambientais do país — da Cota de Reserva Ambiental ao crédito de carbono —, confirmando que o governo já trata a monetização da transição regenerativa como agenda concreta, e não mais como possibilidade futura.
Como o capital catalítico permite a escalada de projetos sustentáveis
“Existe uma confusão frequente: achar que iniciativas de agricultura regenerativa precisam de dinheiro externo porque não são viáveis. Na verdade, elas precisam de um investimento inicial para estruturar a base antes mesmo que o mercado esteja pronto para pagar por isso”, afirma.
Um exemplo prático desse modelo, segundo Daniela, é o retorno dos incentivos financeiros da Partnerships for Forests (P4F) no ciclo de 2026.
A P4F é uma iniciativa vinculada ao governo britânico que apoia negócios sustentáveis em todo o mundo. São recursos de capital catalítico, ou seja, utilizados para testar modelos inovadores e acelerar soluções. O objetivo não é apenas financiar iniciativas, mas criar as condições para que elas se tornem sustentáveis e ampliem seu impacto ao longo do tempo.
O capital que entra agora no Reg.IA por meio da P4F funciona como um acelerador para amadurecer um mercado que, mais cedo ou tarde, vai se consolidar.
Do resultado no campo à construção de um novo modelo financeiro
Depois de provar que a agricultura regenerativa entrega produtividade no campo, o passo seguinte passa pela área financeira.
“O Reg.IA já tem o potencial de resolver o problema técnico da agricultura regenerativa em escala e em diversos lugares, como o Cerrado e a Amazônia. Agora está construindo o que vem depois: como transformar dados verificados, carbono, conversão de vegetação nativa zero, manutenção da biodiversidade, conservação de recursos hídricos e rastreabilidade em novas receitas para quem produz com boas práticas”, resume.
O próximo passo da Agricultura Regenerativa começa em 16 de julho
O campo já mostrou que a agricultura regenerativa funciona. Agora o desafio é fazer com que o mercado de bens de consumo originários de commodities agrícolas e o sistema financeiro enxerguem que as soluções sistêmicas da agricultura regenerativa são as alavancas para que entreguem seus próprios compromissos firmados publicamente.
Atender aos desejos de seus consumidores não tem preço e em breve haverá uma demanda expressiva pelos ativos regenerativos. O próximo grande passo dessa jornada acontece no dia 16 de julho de 2026, no Escritório da BrasilSeg, em São Paulo (SP). A Produzindo Certo reúne especialistas para debater o futuro do Reg.IA.
Daniela Mariuzzo estará entre as palestrantes, levando essa visão que junta agronegócio, clima e desenvolvimento financeiro.
Quer entender como a agricultura regenerativa pode virar um ativo financeiro de verdade? Entre em contato com a Produzindo Certo e saiba como participar do evento sobre o Reg.IA no dia 16 de julho.