
Há pessoas que chegam à tecnologia pela lógica e há quem chegue pela persistência. A Gabrielly Barbosa, de 22 anos, chegou pelas duas.
Natural de Cristalina, cidade goiana conhecida pelos cristais que nascem no solo do Cerrado, ela cresceu cercada por uma família inteira de professores, por uma avó com loja de artesanatos e por um senso de independência que apareceu cedo para uma criança.
Aos 12 anos, já buscava o próprio dinheiro. Fazia colares, pulseiras e terços na loja da avó. Penteava cabelo de tia, de prima, de quem precisasse, e até cuidava de crianças.
“Sempre gostei de conquistar as minhas coisas com o meu próprio esforço”, diz ela, com a naturalidade de quem nunca conheceu outro jeito de viver.
Naquela infância no interior, a professora era ela, mesmo sem sala de aula. Reunia os primos, colocava as bonecas enfileiradas e começava a brincar de dar aula. Não era à toa: a mãe é professora, as tias também, e as suas primas seguiram o mesmo caminho.
Gabrielly cresceu vendo o conhecimento ser tratado como a maior riqueza da família. Seguir esse exemplo foi um movimento natural anos depois, quando ela escolheu o Instituto Federal Goiano de Cristalina para se tornar técnica em informática.
A cidade que ela não sabia que existia e que abriu muitas portas
Durante o curso, a curiosidade pela tecnologia cresceu. Logo surgiu a vontade de cursar Engenharia de Software no IFG, no campus de Inhumas, uma cidade que ela ainda não conhecia.
Gabrielly passou no processo seletivo e fez as malas junto com a irmã — que tinha acabado de ser aprovada em psicologia no mesmo campus.
“A gente mudou na cara e na coragem”, conta Gabrielly. E deu certo, a irmã se formou e hoje é psicóloga.
Gabrielly está finalizando a graduação, e carrega em cada linha de código que escreve um pouco daquela coragem de entrar em uma cidade desconhecida para construir algo novo.
A indicação que virou carreira
A chegada à Produzindo Certo veio por um caminho parecido com o que ela sempre conheceu: relação de confiança. O namorado estagiava na empresa na área de suporte e indicou Gabrielly para prestar serviços.
Ela começou como suporte de TI, atendendo tanto o pessoal do escritório quanto o do campo. Com o tempo, o interesse pela construção de interfaces foi crescendo, e agora ela presta serviços à Produzindo Certo no desenvolvimento front-end.
Hoje, Gabrielly desenvolve funcionalidades, corrige falhas e melhora sistemas que chegam na tela de produtores, analistas e especialistas espalhados pelo Brasil. Ela é uma das mãos que contribui para que tudo corra bem na Plataforma Produzindo Certo.
“Busco transformar os protocolos e requisitos técnicos em interfaces funcionais e intuitivas para o usuário final”, explica Gabrielly.
Por trás do trabalho técnico existe algo mais pessoal que encanta a desenvolvedora: o que ela constrói precisa fazer sentido para quem está do outro lado, seja ele um desenvolvedor experiente ou um produtor rural com celular na mão no meio do campo.
A satisfação de colher os frutos do seu trabalho
Tem um momento que Gabrielly guarda com cuidado especial. Foi a primeira vez que viu uma funcionalidade sua sendo usada por um usuário real. Até então, tudo existia na tela do computador, nos testes, no ambiente de desenvolvimento, no código que ela revisava antes de dormir.
Ver aquilo funcionando na prática, sendo usado por alguém para resolver alguma coisa, foi diferente de tudo que ela esperava.
“Pode parecer algo simples, mas para mim foi muito especial”, diz. E realmente não é simples. Poucas coisas motivam tanto quanto perceber que o que você constrói tem vida além da sua tela.
“Quando olho para trás e vejo tudo o que aprendi desde que comecei na área, isso me dá ainda mais vontade de continuar correndo atrás”, afirma Gabrielly.
Ela começou fazendo pulseiras aos 12 anos para ter o próprio dinheiro. Desde cedo, crescer por esforço próprio sempre foi o combustível para a Gabrielly transformar seus sonhos em realidade.
Eclética, curiosa e com o descanso na hora certa
Fora do trabalho, Gabrielly é quem aceita qualquer diversão. Shows, rodeio, exposição de pecuária ou viagem para o interior ver a família e o afilhado. Mas também gosta da coberta no sofá com filme e um docinho.
“Para todo tipo de rolê que me chamarem, eu tô pronta”, diz, sem cerimônia.
Essa eclética desenvolvedora que ama esportes desde criança, que acompanha Copa e Olimpíadas com empolgação, carrega também os planos grandes para a carreira. Gabrielly pensa no mestrado após a graduação, além de estudar os idiomas inglês e espanhol.
Curiosidade e persistência são a marca dela, e combinam exatamente com o mundo da tecnologia. Ela explica isso de um jeito bem prático: “Eu gosto de entender como as coisas funcionam”.
Essa frase mostra o que a move no dia a dia, a satisfação de resolver problemas difíceis para o campo e colher os frutos do seu esforço.
