Restrições da União Europeia à carne brasileira: como o Bov.IS, da Produzindo Certo, pode auxiliar o pecuarista para as novas exigências do mercado - Produzindo Certo
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Restrições da União Europeia à carne brasileira: como o Bov.IS, da Produzindo Certo, pode auxiliar o pecuarista para as novas exigências do mercado

Faltam poucos meses. A partir de 3 de setembro de 2026, o Brasil pode deixar de exportar carne bovina, de aves e outros produtos de origem animal para a União Europeia, segundo regulamento publicado em Bruxelas no início de junho. 

A decisão não chegou de surpresa: desde 2019, a Comissão Europeia já avisava que o uso de determinados antimicrobianos na pecuária precisaria de controle e rastreabilidade comprovados por documentação robusta e auditagem. O prazo que parecia distante agora está em contagem regressiva, e a pressão sobre o setor também cresce.

Essa regulamentação faz parte de uma política sanitária europeia chamada One Health (Saúde Única da Organização Mundial da Saúde Animal – OMSA), que considera a resistência a antimicrobianos uma das maiores ameaças à saúde pública do mundo. Essa é a preocupação por trás da exigência europeia

Em resumo, a Europa quer comprar carne de animais que nunca receberam, em nenhuma fase da vida,  substâncias usadas para acelerar o crescimento animal e que comprovadamente induzem a resistência antimicrobiana, potencialmente afetando o tratamento de infecções em pessoas. 

O Brasil acabou excluído da lista de países aptos a exportar produtos de origem animal à UE por não ter comprovado que realiza o controle para o não uso dessas moléculas, do nascimento ao abate de animais de produção.

E é aí que o país ficou atrás dos vizinhos. Uruguai e Argentina avançaram e hoje já atendem aos requisitos e à rastreabilidade que a Europa pede, enquanto o Brasil seguiu apoiado no SISBOV, sistema que não cobre a totalidade das exigências do bloco europeu.

A dor que chega direto na porteira

Para o pecuarista, essa discussão tem um efeito direto no dia a dia. Paulo Costa, head de Pecuária da Produzindo Certo, aponta onde está a dificuldade: “O principal problema é a falta de um sistema de controle documentado e rigoroso, como o que existe na farmácia humana para as receitas de antimicrobianos.” 

Muitos produtores já usam antimicrobianos liberados disponíveis no mercado. O desafio é comprovar que as substâncias foram usadas do jeito certo nos animais de produção.

Não resolver o problema a tempo vai custar caro. O impacto deve ser forte já a partir de 3 de setembro, considerando o prazo necessário para o país se adequar e solicitar novas auditorias. 

O estrago também vai além do mercado europeu. Com as exportações interrompidas, a carne deve ser direcionada para outros mercados e até mesmo para o mercado interno.

Somando isso aos limites de cotas que a China já impõe, o grande risco é esse excesso de oferta derrubar os preços da arroba do boi gordo, justamente no momento de alta do ciclo pecuário no país.

O preço obtido na venda da carne exportada para a Europa passa de US$ 8,5 mil por tonelada, valor bem acima da média de outros destinos. Em Mato Grosso, maior exportador do país, o mercado europeu paga 51% acima da média por tonelada. É esse dinheiro que fica em risco com essas novas restrições.

Qual a oportunidade do pecuarista com essa legislação?

Para Paulo Costa, esse tipo de regra não deve ser vista só pelo lado do problema. “Novas regulamentações também criam oportunidades para os produtores que conseguem demonstrar, com dados confiáveis, que já adotam boas práticas de produção”, explica. 

Quando uma exigência internacional fica mais rígida que a lei brasileira, ela abre espaço para quem já se preparou se destacar e ser bonificado por isso. Nesse cenário, rastreabilidade, bem-estar animal e indicadores auditáveis deixam de ser apenas requisitos de conformidade e passam a gerar acesso a mercados mais exigentes e, muitas vezes, melhor remuneração. 

É justamente essa lógica que orienta o Consórcio de Pecuária Intensiva Sustentável Bov.IS, da Produzindo Certo. 

O programa leva em consideração o volume de cabeças por propriedade ano a ano e paga bonificação a quem cumpre critérios pré-definidos no protocolo Bov.IS. Hoje, em fase piloto, o Bov.IS já faz rastreabilidade de mais de 5.000 cabeças no Mato Grosso e realiza visitas técnicas de bem-estar animal em mais de 7.000 cabeças

É esse tipo de dado, organizado e auditável, que pode servir de evidência para o que a Europa está exigindo agora.

Na prática, o Brasil já possui muitos diferenciais competitivos, como a preservação de vegetação nativa, a recuperação de pastagens e a adoção de boas práticas de manejo. O grande desafio é transformar esse trabalho em informações organizadas, verificáveis e capazes de transmitir confiança aos mercados. 

O produtor que investe desde já em diagnóstico, monitoramento e rastreabilidade tende a sair na frente. Além de reduzir riscos comerciais, estará mais preparado para atender às novas exigências internacionais e capturar oportunidades em mercados que valorizam uma pecuária cada vez mais transparente e sustentável.

Quer saber como o Bov.IS pode preparar sua propriedade para os mercados mais rigorosos do mundo? Fale com a equipe da Produzindo Certo para saber mais detalhes.