EUA oficializam pagamento por práticas regenerativas: o que o decreto de Trump significa para o produtor brasileiro - Produzindo Certo
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EUA oficializam pagamento por práticas regenerativas: o que o decreto de Trump significa para o produtor brasileiro

legislação americana permite o acesso a benefícios financeiros

Em 25 de junho de 2026, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um decreto promovendo a agricultura regenerativa no país americano. No mesmo dia, o Departamento de Agricultura do país (USDA) publicou sua Regenerative Feedstock Rule (Regra de Matéria-Prima Regenerativa, em tradução direta), uma legislação que cria uma estrutura para verificar e remunerar lavouras de menor emissão de carbono dentro da cadeia de biocombustíveis. As culturas contempladas são milho, soja, sorgo e canola de primavera.

Trata-se do modelo mais concreto já visto no mundo para ligar as práticas sustentáveis a ganhos no bolso de quem produz. De acordo com o órgão oficial americano, essa é a medida mais importante da história para pagar um bônus ao agricultor que decide preservar a terra por conta própria sem parar de produzir.

Ou seja, produtores que adotam práticas de conservação do solo — como plantio direto, cultura de cobertura e diversificação de culturas — podem documentar a intensidade de carbono das suas lavouras.

Com essa legislação americana, eles vendem suas matérias-primas por preços melhores para produtores de biocombustível, que por sua vez acessam créditos fiscais do governo americano. 

O USDA já investiu US$ 700 milhões num programa piloto de agricultura regenerativa lançado em dezembro de 2025, que resultou em mais de 67.000 planos de conservação cobrindo mais de 49 milhões de acres (o equivalente a quase 20 milhões de hectares).

Por que essa legislação americana importa para o produtor brasileiro

Um decreto americano pode parecer distante de quem produz soja no Cerrado ou milho em Mato Grosso. Mas a lógica por trás da medida — conectar prática regenerativa à remuneração financeira verificável — é exatamente o que a Produzindo Certo já está construindo no Brasil.

João Shimada, Head de Agricultura Regenerativa da Produzindo Certo, aponta que o maior desafio da agricultura regenerativa está na capacidade do produtor de atravessar os primeiros anos da mudança de manejo. É nesse período que a fazenda começa a investir em plantas de cobertura, diversificação de culturas e recuperação da biologia do solo — mas ainda não colheu os ganhos de produtividade e a redução de custos que vêm depois. 

A próxima fronteira agrícola brasileira

Nos EUA, esse instrumento veio pela conexão com a cadeia de biocombustíveis e por uma estrutura oficial de verificação e rastreabilidade das práticas adotadas. A lógica é muito semelhante à que o Reg.IA vem testando no Brasil: definir práticas, medir resultados, verificar sua adoção e conectar essa evidência a uma recompensa econômica para quem produz.

Daniela Mariuzzo, especialista em finanças sustentáveis e consultora do Reg.IA, há meses aponta que a diferença entre valor gerado e valor pago é a principal dificuldade da agenda regenerativa. 

“A agricultura regenerativa já gera valor sistêmico enorme — para produtores, para compradores, para o clima. Mas uma parte significativa desse valor ainda é externalizada. O mercado reconhece, mas ainda não paga.” O decreto americano pode criar uma rota de mercado para que esse valor ganhe preço, e pode destravar investimentos em escala.

O que ainda falta para o Brasil e onde a Produzindo Certo pode contribuir

A principal lição para o Brasil não é copiar o mecanismo americano, mas entender o que ele torna explícito: sem mensuração, rastreabilidade e verificação, o valor ambiental dificilmente se transforma em valor econômico. E, sem compradores, instituições financeiras ou políticas capazes de reconhecer esse valor, a conta da transição continua concentrada no produtor. 

É justamente nesse espaço que a Produzindo Certo atua: transformar práticas realizadas no campo em dados verificáveis e conectar essa evidência a compradores, instituições financeiras e outros mecanismos capazes de reconhecer economicamente a produção regenerativa.

O decreto de Trump confirma, com o peso econômico dos Estados Unidos, uma direção que o mercado global já estava tomando. O produtor brasileiro que organizar sua rastreabilidade e verificação de práticas antes de o mercado exigir vai alcançar novas oportunidades — tanto no crédito rural quanto nas negociações com compradores internacionais.

Quer entender como a Produzindo Certo pode preparar sua propriedade para os mercados que pagam mais por produção regenerativa verificada? Entre em contato com a equipe da Produzindo Certo e descubra como começar.