
Uma viagem pelo Nordeste, cinco anos atrás, inspirou os alemães Niklas Kluger e Felix Harteneck para o ponto de partida da InPlanet.
Niklas tinha acabado de terminar um mestrado voltado para mercado de carbono e regeneração agrícola e já vinha trabalhando no Brasil com agroflorestas em projetos sociais. Felix havia fundado duas empresas e sentia que estava na hora de uma nova empreitada.
Pai de dois filhos, Felix carregava uma pergunta que, segundo Niklas, pesava naquele momento: “O que a gente vai deixar para as futuras gerações?”
O encontro entre os dois juntou peças que, segundo eles, combinavam bem demais para não virar negócio. De um lado, a experiência de empreender de Felix. Do outro, a vontade de Niklas de transformar conhecimento técnico em ferramenta prática para o produtor rural.
“Essa vontade de usar o mercado de carbono para trazer ali uma ferramenta para que o agricultor possa regenerar o solo dele, produzir de forma mais saudável, mais equilibrada, mais resiliente. Esse fator de regeneração era sempre muito importante para mim”, explica Niklas.
De um programa de aceleração a uma tecnologia inédita no Brasil
A dupla entrou num programa de aceleração para negócios de remoção de carbono e, a partir dali, testou caminhos diferentes. Desde a compra de terras degradadas até o uso de biochar e agroflorestas.
Foi testando e aprendendo que a InPlanet encontrou seu foco definitivo: o uso dos remineralizadores de basalto, uma categoria específica de pós de rocha, na agricultura tropical, tanto para melhorar o solo quanto para sequestrar carbono. Essa abordagem está ligada ao Intemperismo Acelerado de Rochas (Enhanced Rock Weathering, ou ERW), uma tecnologia que acelera um processo natural ao aplicar rochas silicáticas finamente moídas ao solo, promovendo a captura de CO₂.
“Não tinha ninguém que tivesse certificado um crédito desse tipo nessa época e não havia ninguém no Brasil trabalhando com essa tecnologia”, lembra Niklas.
Pouco depois, a InPlanet virou a primeira empresa do mundo a emitir e certificar um crédito de carbono baseado na tecnologia de intemperismo acelerado de rochas (ERW), dando um passo pioneiro na aplicação da tecnologia em escala agrícola.
E ciência é a base de tudo. “A InPlanet é, antes de tudo, uma empresa que gira em torno da ciência. Desde o início, quando começamos a estruturar a empresa, nossa primeira equipe foi justamente a científica.”, conta Niklas.
Um insumo subsidiado para o produtor rural, não vendido
O modelo de negócio da InPlanet chama atenção por fugir do óbvio. A empresa subsidia o remineralizador de basalto ao produtor e o produtor entra apenas com o transporte e a aplicação do material.
“É uma parceria com o agricultor, sem necessariamente exigir um compromisso comercial de compra.”, resume Niklas. É um modelo pouco convencional no setor: “Eu raramente vejo outra empresa subsidiando um insumo para o agricultor.”
O ganho no bolso aparece rápido, mesmo antes dos benefícios mais profundos para a lavoura aparecerem. Como o pó de rocha substitui o calcário e ainda reduz entre 5% e 10% o uso de fosfatados já no primeiro ano, o produtor “já tem um saldo positivo no momento zero”, explica Niklas.
Com o tempo, o material vai soltando seus nutrientes aos poucos. Uma única aplicação chega a durar entre três e cinco anos na lavoura, um efeito bem diferente do de um fertilizante solúvel comum.
Para explicar esse processo, Niklas costuma resumir o trabalho da InPlanet dessa forma: “A gente também gosta de se chamar de fábrica de solo”.
Ao aplicar o remineralizador num solo tropical, já bastante desgastado ao longo de milhares de anos, a empresa devolve a ele minerais que se perderam com o tempo. Na prática, isso rejuvenesce o solo e reduz a dependência de insumos químicos.
Segundo Niklas, solos mais degradados, como boa parte dos solos brasileiros, respondem ainda melhor à tecnologia. “Uma desvantagem que vira vantagem”, como ele mesmo define.
O encontro com a Produzindo Certo
A conexão entre a InPlanet e a Produzindo Certo nasceu de um jeito simples: um encontro casual num evento depois de uma conversa com Charton Locks, cofundador e COO da Produzindo Certo.
“A gente logo percebeu que tinha um encaixe muito grande”, relembra Niklas. Os remineralizadores de basalto passaram a funcionar como mais uma ferramenta dentro da caixa de soluções que ajudam o produtor a fazer a transição para a agricultura regenerativa, ao lado de bioinsumos, compostagem, inoculantes e cover crops.
O que mais chamou atenção de Niklas na Produzindo Certo foi a clareza da metodologia. “Gostei da Produzindo Certo porque ela tem um olhar bem claro, passo a passo, para fazer essa transição. Muitas iniciativas têm dificuldade de concretizar isso e apresentar de uma forma pragmática.”
Mas o ponto que ele destaca como mais decisivo é outro: “O Consórcio de Agricultura Regenerativa da Produzindo Certo, o Reg.IA, traz uma proposta concreta para valorizar o produtor. Afinal, o mercado está cheio de discursos bonitos, mas, na hora de realmente recompensar o agricultor, quase ninguém quer assumir a conta.”

Presença em campo como moeda de confiança
A InPlanet atende mais de 20 mil hectares no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com uma proposta de expansão para novas áreas agrícolas em grande escala. Para garantir a confiança com essa nova tecnologia, a empresa mantém equipes próprias acompanhando tudo de perto, até a chegada do produto na lavoura.
Para Niklas, “o maior desafio no agro é sempre a confiança”. Na InPlanet, a estratégia é “trabalhar junto com empresas ou até mesmo consórcios como o da Produzindo Certo, que traz bastante dessa confiança, dessa rede”.
Essa proximidade também parte de uma característica que Niklas identifica no agricultor brasileiro: uma abertura para a inovação que, segundo ele, não encontra com a mesma força em outros lugares do mundo, incluindo a própria Alemanha, onde nasceu..
Como explica Niklas, essa disposição para inovar também está relacionada às condições econômicas do campo brasileiro:
“Acho que a inovação no campo é mais fácil no Brasil porque aqui não tem um sistema de subsídios igual na Europa. Então o agricultor tem que fazer uma agricultura que seja lucrativa. A pressão de inovar, de testar novas soluções, é muito maior aqui.”
Ciência, parcerias e o próximo capítulo
A InPlanet nasceu na Esalq, em Piracicaba, e foi incubada por dois anos na EsalqTec. Hoje, trabalha lado a lado com a Embrapa e mantém parcerias e colaborações com instituições como a Associação Brasileira dos Produtores de Remineralizadores de Solo e Fertilizantes Naturais (ABREFEN) e o Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS).
Além disso, a InPlanet conta com colaborações internacionais com a Universidade de Newcastle e a CarbonSpace Climate, contribuindo para o desenvolvimento e a definição de padrões técnicos relacionados ao uso de remineralizadores de basalto na agricultura.
O plano de Niklas para o futuro é fortalecer essa base técnica lado a lado com o produtor, seguindo a mesma rota prática que move o trabalho da Produzindo Certo.
É essa mistura de pesquisa séria, botina no barro e um modelo que realmente remunera o produtor, que faz da InPlanet uma das grandes parceiras para o Reg.IA.
Quer entender como o Reg.IA, com parceiros como a InPlanet, está levando a agricultura regenerativa para o campo com resultado prático no bolso do produtor? Entre em contato com a Produzindo Certo.