Radar PC: O que a Conferência Internacional RTRS sinaliza para o futuro da soja sustentável - Produzindo Certo
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Radar PC: O que a Conferência Internacional RTRS sinaliza para o futuro da soja sustentável

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O agro brasileiro é discutido em fóruns e conferências em praticamente todos os continentes. Muitas das discussões que começam nesses espaços, sobre mercado, regulação, clima ou sustentabilidade, acabam, mais cedo ou mais tarde, chegando à fazenda. 

A partir de agora, o Radar PC, nova editoria do portal Produzindo Certo, vai trazer as visões e análises de Charton Locks, cofundador e COO da empresa, sobre esses temas debatidos em eventos, encontros e conversas que ele acompanha no Brasil e no exterior, sempre buscando responder a uma pergunta: o que essas tendências significam, na prática, para quem produz? 

São opiniões formadas pela prática de quem participa, por dentro, das discussões que moldam o futuro da produção sustentável e que chegam até o produtor antes de virarem notícia em qualquer outro lugar.

A estreia da editoria vem de Amsterdã, palco da Conferência Internacional da RTRS (Round Table on Responsible Soy). No evento, Charton Locks marcou presença como uma voz ativa do setor ao participar como palestrante.A associação completa 20 anos de existência dedicada a discutir, em nível mundial, o que significa produzir soja de forma sustentável. 

“Aqui se reúnem produtores, indústrias e ONGs; todos sentam juntos para definir padrões e dar direcionamento a uma produção sustentável”, conta Charton. 

Segundo ele, a Produzindo Certo participa do evento “contribuindo com a visão dos produtores brasileiros sobre o que é uma soja sustentável e responsável, além de acompanhar o que outros especialistas estão trazendo para a conferência”.

Da conferência, Charton separou três pontos que, na sua leitura, são fundamentais para o futuro de quem produz soja no Brasil.

China sinaliza menos demanda externa de soja. E isso muda a conta na hora de expandir

O primeiro ponto vem do maior comprador de soja do mundo. “A China indica redução na demanda de importação de soja nos próximos anos, conforme consta em seu plano quinquenal”, explica Charton. 

Na prática, isso muda a lógica que vinha guiando parte da expansão da soja em países exportadores. “Isso sinaliza que não há necessidade de expandir significativamente a área de soja nos países exportadores”, completa. 

O foco, cada vez mais, deixa de ser produzir mais hectares e passa a ser produzir com mais qualidade dentro da área que já existe.

O prazo final para o início da EUDR está batendo na porteira

A EUDR, a lei europeia antidesmatamento, tem aplicação prevista para 30 de dezembro de 2026 para os médios e grandes operadores, e 30 de junho de 2027 para os micro e pequenos”, explica Charton. “O que isso significa? Que commodities produzidas em áreas desmatadas após 2020 não entrarão na Europa.”

Para o produtor que exporta ou fornece para o mercado europeu, essa data já é uma urgência. Quem ainda não organizou os registros da propriedade e não consegue provar a origem exata da safra está correndo contra o tempo.

A nova fase da Mesa Redonda de Soja Responsável (RTRS)

O debate em Amsterdã apontou para uma evolução necessária na forma de recompensar quem produz com sustentabilidade. 

Charton indica uma revolução na RTRS: “A entidade está se modernizando e aprovou regras mais seguras e confiáveis para a certificação. O mercado enxerga isso com bons olhos, porque mostra organização e garante a entrega do que foi prometido”, afirma. 

Na visão dele, essa segurança é a garantia de que o trabalho bem feito da porteira para dentro continuará abrindo mercado e gerando valor lá fora.

O clima está mudando, e a sua produção precisa acompanhar

O terceiro ponto talvez seja o mais urgente de todos, porque não depende de decisão política nem de plano de governo de outros países. “O clima está mudando e as lavouras precisam ficar mais resilientes. Chuvas e secas ficarão cada vez mais intensas e frequentes nas lavouras brasileiras”, alerta Charton. 

“Então o produtor precisa ter cuidado com a forma como produz e cuida da sua produção. Transformar o talhão em uma área mais resiliente é fundamental para continuar no mercado”.

O balanço da RTRS: transformar exigências em prática e remunerar quem produz

A visão de Charton vai de encontro com o balanço oficial da RTRS no fim do evento. Para a entidade, a soja chegou a um ponto de virada: acabou a fase das promessas e discursos bonitos. 

Agora, o mercado cobra ação, rastreabilidade e formas de provar que a fazenda realmente entrega resultados. Entre as prioridades para os próximos anos, dois pontos ganharam força:

– Com a nova regra europeia (EUDR) batendo na porta, a conversa passou a focar em como fazer isso funcionar na rotina, com auditorias sérias, separação de grãos e apoio real a quem produz.

– A RTRS apresentou dados do Brasil mostrando fazendas participantes com emissões de carbono 76% menores que a média nacional, mas deu o recado: bons resultados ambientais precisam de dinheiro no bolso. O mercado não pode jogar nas costas do produtor os custos de medir, certificar e mudar o manejo.

Para Juma Martins, presidente da RTRS, é hora de agir: “Nossa responsabilidade agora é fazer com que as negociações saiam do papel e continuem garantindo o crescimento responsável da soja.”

O recado final: preparar a sua produção de forma antecipada

Juntando os três pontos, Charton Locks resume: “Para os produtores no Brasil, é preciso arrumar a casa e focar em práticas de agricultura regenerativa, pois o mercado está ficando mais exigente e os produtores que estiverem mais bem preparados terão mais oportunidades.”

Preparação, nesse caso, significa conhecer os riscos da propriedade, organizar informações, garantir rastreabilidade, medir resultados e trabalhar a resiliência produtiva antes que isso se transforme em uma exigência do comprador, do banco ou da legislação. 

O produtor brasileiro continua tendo uma posição privilegiada no mercado global de soja. Mas competitividade, daqui para frente, será definida não apenas por quanto se produz. 

Cada vez mais, também importará como se produz, que resultados essa produção gera e quão bem o produtor consegue comprová-los. 

Esse é o tipo de movimento que o Radar PC acompanhará nas próximas edições: sinais que começam nos grandes debates do agro e podem terminar influenciando decisões dentro da fazenda. 

Quer se manter atualizado e estar sempre em dia com as tendências do mercado sustentável? Acompanhe as próximas edições do Radar PC no portal da Produzindo Certo.