
Em 2022 e 2023, grandes empresas de alimentos e agropecuária correram para anunciar compromissos com a agricultura regenerativa. A agenda parecia concreta, o apetite dos investidores era real e os comunicados surgiam aos montes.
Dois anos depois, o cenário mudou. Menos empresas divulgam metas ligadas a sistemas regenerativos. E as que ainda divulgam estão divulgando só o que fazem, não os resultados que entregam.
Esse é o diagnóstico trazido no relatório publicado no fim de junho de 2026 pela FAIRR, rede internacional de investidores com mais de 400 membros e mais de US$ 95 trilhões em ativos sob gestão.
Das 78 empresas agroalimentares listadas em bolsa ao redor do mundo que a FAIRR analisou, apenas 28% divulgam metas relacionadas a sistemas regenerativos. Em 2023, essa porcentagem era de 35%. A queda sinaliza que a onda de compromissos está diminuindo antes de produzir evidências sólidas de resultado.
Onde está o problema do diagnóstico da FAIRR
O relatório deixa claro que o recuo nas metas não significa que as empresas pararam de agir. O que falta é a capacidade de medir e provar o que está sendo feito.
Para a FAIRR, a baixa presença de metas voltadas a resultados “sugere que as companhias ainda não são capazes de quantificar os resultados que querem alcançar por meio da agricultura regenerativa, tornando difícil avaliar a profundidade e o escopo de seus programas, e por extensão, sua credibilidade”.
Hoje, 14% das grandes empresas mantêm metas para aplicar o manejo regenerativo no campo e outros 14% têm metas para comprar produtos dessas fazendas — números que não mudaram desde 2023.
O problema é que as companhias voltadas a resultados reais (como melhorar a saúde do solo ou capturar carbono) caíram de 6% para apenas 4%. É justamente aí que aparece o principal descompasso: a mensuração avançou mais rápido do que a capacidade das empresas de assumir compromissos concretos de resultado.
O relatório também chama atenção para contradições na implementação. Embora 52% das empresas busquem reduzir o uso de agroquímicos, nenhuma estabeleceu uma meta específica de redução de defensivos químicos dentro de seus programas regenerativos. Em alguns casos, a FAIRR identificou aumento no uso de químicos paralelamente à adoção de práticas regenerativas, um alerta de que adotar uma prática isolada não é o mesmo que produzir um resultado regenerativo.
O investidor quer saber o que está comprando
Por trás dessa discussão de métricas há uma questão financeira. Quando uma empresa anuncia um programa de agricultura regenerativa sem metas de resultado verificáveis, o investidor não consegue avaliar se aquele compromisso vale alguma coisa.
E quando o investidor não consegue avaliar, ele começa a questionar — ou desconta o risco na hora de investir.
Sem metas e medições dos resultados desses esforços, “é impossível para os investidores avaliarem completamente esses programas e a extensão em que a companhia está construindo resiliência aos riscos que a agricultura regenerativa busca atender”, dizem os especialistas no relatório da FAIRR.
O Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável segue a mesma linha, defendendo que as empresas adotem metas ligadas a objetivos mensuráveis — como redução de emissões de gases-estufa, aumento do sequestro de carbono, redução do risco de pesticidas e melhora da saúde do solo.
O dado positivo do relatório é que o tema não foi abandonado. A proporção de empresas que mencionam a intenção de fomentar a agricultura regenerativa subiu de 63% em 2023 para 64% em 2026.
A consciência cresceu. O que ainda não acompanhou esse crescimento é a capacidade de comprovar na prática. Ou seja, ainda falta estrutura para reunir dados e documentos que provem que as boas práticas realmente saíram do papel.
O que separa discurso de resultado
O caminho entre anunciar um compromisso regenerativo e comprová-lo com dados passa por uma estrutura de monitoramento contínuo, verificação em campo e relatórios que alguém de fora possa conferir.
A comprovação dos resultados tem ainda outra função: permitir que o valor chegue a quem realiza a transição no campo. A FAIRR destaca que a agricultura regenerativa dificilmente ganhará escala sem benefícios econômicos claros para o produtor. Hoje, 40% das empresas analisadas oferecem algum tipo de apoio financeiro, como prêmios, seguros, garantias de compra ou pagamentos diretos. Quanto mais confiável a mensuração, maior a possibilidade de vincular esses incentivos à performance efetivamente entregue.
O Reg.IA, consórcio de agricultura regenerativa da Produzindo Certo, foi construído com essa lógica desde o início. Os resultados acompanhados no programa não são apenas declarações de intenção. São dados verificados, georreferenciados e auditáveis, gerados safra a safra, propriedade por propriedade.
A prova disso está nos números: já foi registrada uma redução de 66% na pegada de carbono da soja em relação à média brasileira, com uma produtividade 15% acima da média nacional em mais de 54 mil hectares no Cerrado e na Amazônia.
É esse tipo de dado que o mercado está cobrando e que, segundo o próprio relatório da FAIRR, ainda falta na maioria dos programas corporativos de agricultura regenerativa ao redor do mundo.
Para as empresas que compram da cadeia agrícola brasileira e precisam mostrar aos seus investidores que seus compromissos têm conteúdo real, a rastreabilidade verificável está se tornando uma exigência de entrada.
O relatório da FAIRR não é uma má notícia para a agricultura regenerativa. É um diagnóstico do que ainda precisa ser construído para que essa agenda saia do campo das boas intenções e se torne um mercado funcional.
Quer entender como a Produzindo Certo pode ajudar sua empresa ou propriedade a construir uma estrutura de monitoramento e verificação que resiste ao escrutínio do mercado? Entre em contato com nossa equipe.