
Os mercados Halal e Kosher são excelentes exemplos de como o agronegócio pode acessar setores mais rentáveis, que pagam melhor e valorizam processos certificados.
Ambos baseiam-se em preceitos religiosos — o Halal orientado pela lei islâmica e o Kosher pelas leis judaicas da Kashrut —, determinando diretamente o que os membros dessas comunidades podem ou não consumir.
Mas a relevância para o agronegócio está no que eles exigem do ponto de vista operacional: conformidade comprovada em cada etapa da cadeia, desde o manejo na propriedade até o produto final.
Para o produtor que já opera com monitoramento socioambiental organizado, esse rigor representa uma porta de entrada, e não um obstáculo.
Um critério que o mercado passou a respeitar
O peso comercial do mercado Halal já representa mais de 1,9 bilhão de consumidores muçulmanos ao redor do mundo, com forte presença em mercados de crescimento acelerado como o Golfo Pérsico, o Sudeste Asiático e o Norte da África. O Brasil já é referência internacional em proteína Halal certificada – resultado de anos de investimento em estruturas de certificação, rastreabilidade e monitoramento da produção.
O mercado Kosher carrega uma tradição que vem de muito antes de qualquer lei moderna.
“As certificadoras Kosher mais antigas dos Estados Unidos têm mais de 120 anos de funcionamento. O próprio USDA, que regula a inspeção de saúde animal pré-abate, é posterior a essas instituições”, observa Felipe Kleiman, especialista em projetos e operações de abate Kosher.
Hoje, o selo Kosher virou garantia de alta qualidade para todo tipo de comprador e não apenas para o público judeu. Isso acontece porque a fiscalização deles é extremamente rigorosa, superando a maioria dos outros padrões de qualidade.
O que esses dois mercados têm em comum importa muito para quem quer exportar para mais países. A rastreabilidade deixou de ser um diferencial opcional e já se tornou uma condição de acesso a novos mercados.
Para isso, é preciso garantir que cada ingrediente, cada insumo e cada etapa do processo possa ser monitorado e comprovado. Como explica Kleiman, “para garantir que aquele alimento está de acordo com as leis da Kashrut, você precisa ter um controle total e absoluto da origem. Cada ingrediente tem que ser Kosher e, para ele ser Kosher, ele tem que cumprir uma série de requisitos”.
Quando os dados do campo viram argumento comercial
Flavio Redi, CEO da Ecotrace — empresa que processa cerca de 52% do mercado de aves Halal e aproximadamente 95% do mercado bovino Halal no Brasil —, reforça a opinião sobre o que esses protocolos representam para o setor: “Os protocolos Halal e Kosher representam modelos extremamente rigorosos de controle operacional, rastreabilidade, padronização e integridade de processos.”
Para Redi, o alcance vai além dos mercados que adotam esses preceitos: “Independentemente da motivação religiosa do consumidor final, esses mercados acabam funcionando como uma espécie de ‘régua internacional’ de excelência operacional.”
Isso explica por que o produtor e a indústria que investem em rastreabilidade e monitoramento contínuo estão se preparando para uma série de novas oportunidades.
A mesma estrutura de dados e comprovação que garante acesso ao mercado Halal é a que será exigida pelas legislações europeias e pelo acordo Mercosul–União Europeia e por compradores premium em qualquer destino.
“Quando o importador e o consumidor muçulmano têm acesso a dados claros — cadeia rastreável, auditorias regulares, certificação reconhecida — o produto brasileiro passa a ser confiável”, afirma Omar Chahine, Diretor Comercial da FAMBRAS Halal, a maior certificadora Halal do Brasil e de toda a América Latina.
“E, no mercado Halal, confiança gera fidelidade comercial”, pontua Chahine.
Para avançar nessas oportunidades, o produtor precisa primeiro saber a situação socioambiental da sua propriedade. Sem esse diagnóstico, qualquer tentativa de acessar mercados mais exigentes — Halal, Kosher, europeus ou orientados por critérios ambientais — começa com fragilidades, que podem ser corrigidas com o acompanhamento profissional, como o da Produzindo Certo.
Para Halal, Kosher ou qualquer protocolo que exige monitoramento constante, a lógica é a mesma: sem diagnósticos baseados em dados organizados e atualizados, a conformidade é frágil.
A exigência do mercado global agora é de comprovação com dados. Para o produtor brasileiro que já constrói rastreabilidade e gestão socioambiental no campo, isso representa uma oportunidade em mercados que somam bilhões de consumidores e que pagam mais por fornecedores em quem confiam.
É aí que o trabalho da Produzindo Certo entra. Por meio dos protocolos de diagnóstico e monitoramento socioambiental das propriedades, empresas e produtores conseguem identificar com clareza os pontos de melhoria. Isso facilita a adequação a esses mercados exigentes e acelera o acesso a todos os benefícios de se destacar no setor.
Quer saber como o diagnóstico socioambiental da sua propriedade pode abrir portas para mercados mais exigentes? Fale com a Produzindo Certo e veja como a rastreabilidade que você já constrói no campo pode se tornar o seu principal diferencial competitivo.