Uma sigla para mudar o agro

Por que essas três letras se tornaram moda no mundo corporativo e como elas podem representar desafios e oportunidades para o setor

Muito tem se falado no mercado em ESG. As iniciais para Environmental, Social e Governance (ambiental, social e governança) reúnem um conjunto de valores e critérios éticos que orientam a produção e valorizam negócios responsáveis.

Está cada vez mais claro para gestores, mercado e governo que não basta gerar retorno financeiro. O entendimento de que os recursos naturais são finitos e que os impactos dos meios de produção ao meio ambiente e à sociedade afetam a própria prosperidade futura dos negócios estão na agenda de discussão do mundo corporativo.

Em seu relatório mais recente sobre riscos globais, lançado em janeiro, o Fórum Econômico Mundial apontou que os cinco principais riscos da próxima década estão relacionados a questões ambientais. É a primeira vez que o tema ambiental domina o estudo anual da organização que congrega os maiores líderes da economia em todo o mundo. As mudanças do clima é o risco número um em impacto e número dois em probabilidade nos próximos 10 anos. A perda da biodiversidade é o segundo risco de maior impacto na década. 

A pandemia do coronavírus evidenciou ainda mais como temas que costumam receber menos atenção do mercado afetam os negócios, incluindo questões sanitárias, de saúde e a desigualdade social, por exemplo.

A governança completa o tripé ESG, representando as estruturas de gestão e de tomada de decisão nos negócios. O posicionamento da liderança, os mecanismos de controle e gestão de riscos e a garantia dos direitos de acionistas e outros públicos que se relacionam com a empresa, incluindo os fornecedores, é que vão assegurar que todos esses temas estão sendo considerados na pauta da empresa, e que o equilíbrio entre resultados no curto e no longo prazos é respeitado. 

Novas oportunidades ao agro

Hoje, já se sabe que esses riscos não impactam mais só a reputação das empresas. A disponibilidade hídrica é finita, fontes de energia mais poluidoras sofrem cada vez mais pressão regulatórias, podendo ser mais tributadas e algumas fontes até proibidas, só para citar questões ambientais. São fatores que afetam a produtividade e os custos de muitos setores, incluindo o agronegócio. 

Mas para além dos riscos ao desempenho financeiro, os critérios ESG são também uma oportunidade para quem produz com responsabilidade, especialmente no agronegócio.

Soluções tecnológicas já existentes mais ou menos disseminadas no campo, como integração lavoura-pecuária-floresta, plantio direto, sequestro de carbono no solo, recuperação de pastagens, entre outras, promovem o uso mais eficiente da terra, aumentam a produtividade e reduzem a pressão pelo desmatamento. Essas práticas tornam o setor estratégico para uma retomada verde da economia, como aponta especialistas.

“Produtores que já adotam boas práticas agrícolas, cuidam do meio ambiente e respeitam as pessoas agregam valor ao seu negócio e encontram cada vez mais espaço para inserir sua produção no mercado nacional e, especialmente, na exportação”, comenta Aline Locks, CEO da Produzindo Certo.  

Para usufruir desses benefícios, a verificabilidade das práticas e o monitoramento dos resultados são fundamentais. Com a Plataforma Produzindo Certo, os produtores recebem assistência técnica e uma avaliação objetiva do seu desempenho socioambiental e produtivo que indica os principais pontos de melhoria. Produtores e empresas do agro também têm à disposição uma ferramenta que acompanha de forma contínua as evoluções e forma um banco de dados digital que reúne o diagnóstico das fazendas, gera relatórios de desempenho atualizados e se conecta a sistemas georreferenciados para monitorar riscos críticos como desmatamento e embargos.

Outro eixo de trabalho da Produzindo Certo é conectar o produtor que está seguindo práticas sustentáveis ao mercado, mediando a relação entre os traders do agro que buscam uma cadeia de fornecimento mais sustentável e transparente e os produtores comprometidos com as boas práticas agrícolas e socioambientais. 

Mas é necessário aumentar significativamente os investimentos para escalar a disseminação de técnicas de intensificação e aprimoramento produtivo e de tecnologias de baixo carbono. E essa é outra oportunidade que pode representar vantagens ao agronegócio responsável. Fundos de investimentos ESG aplicam esses critérios para definir onde vão investir seus recursos, financiando negócios que não apenas façam seu dinheiro render, mas também geram benefícios ao meio ambiente e às comunidades envolvidas. Títulos verdes, ou green bonds, também são baseados nesse compromisso de remunerar a produção responsável. 

Esses mecanismos podem ajudar a irrigar o agro com dinheiro mais barato e ajudar os produtores a financiar essa transformação, ampliando seus cuidados com o meio ambiente e práticas sociais ao mesmo tempo em que ampliam a produção e a rentabilidade.

“Por enquanto, o dinheiro verde é só mais barato. No futuro, esse vai ser o único dinheiro”, definiu o diretor de Sustentabilidade da Divisão Agro da Bayer no Brasil, Eduardo Bastos, em uma live da série Vozes Responsáveis, da Produzindo Certo.

O tema está despertando e quem compreende a relação da sustentabilidade – ou dos critérios ESG para usar o termo emergente – com a produção e os negócios estará melhor posicionado no futuro.

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