Vem aí a cúpula do alimento. E isso nos interessa - Produzindo Certo
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Vem aí a cúpula do alimento. E isso nos interessa

A ONU realiza em setembro a Cúpula do Alimento, um encontro global sobre sistemas alimentares. As discussões já começaram e a produção agropecuária está no centro da arena

Os olhos dos líderes globais estarão voltados para a atividade agropecuária na Cúpula de Sistemas Alimentares (FSS, na sigla em inglês), convocada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em meio aos esforços para acelerar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até o fim da década.

O encontro global ocorrerá durante a semana de Alto Nível da Assembleia Geral das Nações Unidades, em setembro, em Nova York (EUA). O objetivo é avaliar o funcionamento do sistema agroalimentar global e propor ações à comunidade internacional para expandir práticas mais eficientes capazes de prover alimentos nutricionalmente adequados e ambiental e socialmente sustentáveis.

Naturalmente, a América do Sul – e mais especificamente o Brasil – deve receber atenção nesse debate em função da contribuição da agricultura da região com o maior volume de produção e exportação para o resto do mundo.

Na pauta, estão desafios como a insegurança alimentar, que vem aumentando no mundo mesmo com o crescimento da produção agrícola, sobretudo na pandemia, e os impactos ambientais da atividade agrícola. Esses são pontos sensíveis e urgentes para uma distribuição de alimentos mais equitativa.

Por outro lado, há enormes possibilidades das atividades agropecuárias para a sustentabilidade ambiental e a mitigação dos efeitos da mudança do clima em escala mundial. Já retratamos no blog iniciativas para serviços verificação dos benefícios climáticos da produção responsável  ou a busca pelo boi sustentável em uma das edições do Vozes Responsáveis.

O governo brasileiro participa das discussões de preparação da Cúpula do Alimento e do último encontro prévio, que ocorrerá na próxima semana, em Roma (Itália). Conforme informações da Reuters, reproduzidas pelo site da Globo Rural, os países da região querem defender a pecuária na reunião preparatória.

O objetivo é rebater críticas, especialmente relacionadas à produção de carne bovina, em políticas como o “Acordo Verde” europeu. A preocupação expressa pelo ministro de Agricultura e Pecuária do Paraguai, Santiago Bertoni, é de que a região não esteja refletida adequadamente nos grupos de discussão.

Um documento produzido pelo Conselho Agropecuário do Sul chama a atenção para os novos cenários da ciência e da tecnologia que representam uma oportunidade estratégica para se avançar rumo a uma agricultura mais produtiva e sustentável que possibilite níveis mais elevados de precisão e eficiência.

A economia circular e a bioeconomia são outros elementos-chave nesse cenário, que favorecem o uso eficiente dos recursos (inclusive a intensificação sustentável da produção), a redução e reutilização dos desperdícios da produção agropecuária para a produção de outros bens e o investimento em pesquisa e desenvolvimento.

A carta dos líderes sul-americanos destaca, ainda, que a produção agropecuária deve avançar para sistemas que propiciem um equilíbrio entre a emissão e captura de carbono e a manutenção de serviços ecossistêmicos, levando a externalidades positivas e sistemas que as quantifiquem e propiciem a sua capitalização.

Como o que será debatido na ONU impacta a produção no campo no Brasil? As conclusões da Cúpula do Alimento não têm caráter vinculante, mas podem influenciar decisões de governos em todo o mundo. Em meio a novos compromissos dos países europeus, Estados Unidos e mesmo a China, e fenômenos climáticos extremos mais frequentes como as ondas de calor e tempestades no hemisfério norte e a seca nesse lado do planeta, novas medidas podem resultar em barreiras comerciais para o agronegócio. Daí, a importância de o produtor rural estar cada vez mais antenado às boas práticas produtivas.

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