Além do volume hídrico: o que o verão de 2026 revela sobre a resiliência no campo - Produzindo Certo
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Além do volume hídrico: o que o verão de 2026 revela sobre a resiliência no campo

Céu nublado sobre uma lavoura, simbolizando as fortes chuvas que exigiram resiliência no campo em 2026

O início de 2026 foi marcado por eventos climáticos de alta intensidade, com impactos relevantes sobre a produção agropecuária em diferentes regiões do Brasil. Em Minas Gerais, especialmente na Zona da Mata, com destaque para os municípios de Juiz de Fora e Ubá, o volume de chuvas registrado em fevereiro superou padrões históricos recentes, resultando em perdas produtivas, danos à infraestrutura rural e interrupções logísticas.

A tragédia, porém, não surgiu do nada. Cientistas, meteorologistas e órgãos públicos já haviam alertado para o risco crescente de eventos desse tipo. Entender por que isso acontece e o que representa para o agronegócio mineiro e brasileiro é fundamental para quem atua no campo.

Por que as chuvas foram tão intensas?

Especialistas explicam que as chuvas intensas deste verão ocorreram devido a uma combinação de fatores meteorológicos simultâneos. No Sul de Minas, o climatologista Paulo Henrique de Souza, da Unifal, destacou a presença da Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e de áreas de baixa pressão no oceano.

“De janeiro para cá, tivemos a junção de dois fenômenos muito poderosos na formação de umidade para precipitação”, explicou o especialista. A combinação fez com que o verão de 2026 se tornasse um dos mais chuvosos já registrados nessa região do estado.

Além disso, pesquisadores do Cemaden observaram que a temperatura do Oceano Atlântico estava entre 2°C e 3°C acima do comum. Águas mais quentes aumentam a evaporação, o que joga mais vapor de água na atmosfera e gera tempestades maiores.

Os impactos no agronegócio mineiro

O balanço da safra 2025/26 em Minas Gerais revela prejuízos significativos. Dados de março mostram que 127 mil produtores em 416 municípios sofreram com o clima. Na Zona da Mata, cerca de 26% das propriedades foram atingidas, e alguns produtores perderam até R$ 100 mil. 

A falta de seguro rural agravou a situação, já que 95% dos afetados não possuíam essa proteção, segundo a Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais – FAEMG.

A Embrapa alerta que doenças e pragas que atacam culturas como café, soja e milho tendem a se tornar mais comuns com as mudanças no regime de chuvas. A situação reforça a necessidade de um campo preparado e com acompanhamento técnico constante. 

No momento, o excesso de umidade no solo já atrasa o plantio do milho segunda safra e prejudica a qualidade do feijão. O cenário levanta discussões sobre como garantir a oferta de alimentos e a economia rural, mostrando a importância de novos investimentos e inovação.

Conformidade socioambiental: o papel estratégico das propriedades rurais

Com o clima variando de forma mais extrema, manter a fazenda em dia com as normas ambientais ajuda a proteger a produção. Propriedades que preservam a vegetação nativa em encostas e margens de rios (as APPs) conseguem absorver melhor a água, evitando erosão e deslizamentos.

O monitoramento contínuo das condições das propriedades permite, ainda, uma resposta mais rápida diante de eventos climáticos adversos: saber quais talhões estão em áreas de risco, quais culturas são mais vulneráveis ao encharcamento e quais estradas vicinais comprometem o escoamento da produção são informações que fazem diferença no momento de minimizar perdas e tomar decisões ágeis.

Neste sentido, o fomento a práticas de agricultura regenerativa auxilia a resiliência no campo e estabilidade do solo nas áreas produtivas e isso pode ser comprovado pelo primeiro consórcio de agricultura regenerativa do país, o Reg.IA, que teve resultados animadores logo na colheita da primeira safra.

Com a adoção de práticas como plantio direto com cobertura, rotação de culturas, adubação orgânica, uso de biológicos e redução de pesticidas o consórcio promove a melhoria da saúde do solo e consequentemente aumento da capacidade de retenção de água e nutrientes aumentando a resiliência das lavouras a pragas e estresse hídrico.

Além disso, houve a redução da pegada de carbono da soja (66%) e do milho (82%) em comparação com a média nacional.

Em um cenário de maior atenção global aos riscos climáticos e às práticas ESG (ambientais, sociais e de governança), bem organizadas conseguem melhores condições de crédito e acessam compradores que buscam produtos com origem garantida.

Neste sentido, a Produzindo Certo combina tecnologia de ponta com assistência técnica de campo e vem ao longo de sua trajetória auxiliando mais de 11 mil produtores a alcançarem a conformidade socioambiental de suas propriedades e consequentemente terem melhores resultados econômicos.

O que esperar do restante de 2026?

Para os próximos meses, a previsão indica temperaturas acima da média e chuvas irregulares devido ao possível fenômeno El Niño. A orientação técnica indica que o acompanhamento do clima, o cuidado com as plantas e a regularidade da fazenda são os caminhos para lidar com os novos desafios do tempo. O verão de 2025/26 foi um alerta de que o campo precisa estar preparado para uma nova era climática.

Em um contexto de maior exigência regulatória e climática, a resiliência no campo deixou de ser diferencial e passou a ser pré-requisito. Quem estrutura dados, conformidade e práticas regenerativas hoje, garante acesso a mercado e competitividade amanhã.