A voz e o exemplo das mulheres do agro - Produzindo Certo
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A voz e o exemplo das mulheres do agro

Confira o que disseram as convidadas do Vozes Responsáveis Femininas, realizado em parceria com a Nutrien, no Congresso Nacional das Mulheres do Agro

Quantas lições podemos aprender em apenas duas horas de conversa? Quantas vidas podem ser transformadas por essas lições? Quantas vozes com grandes ensinamentos merecem ser ouvidas?

São perguntas que ecoam em nossas mentes em dias como a última quarta-feira, 26 de outubro, quando oportunidades únicas nos revelam uma nova dimensão de uma realidade que já conhecemos, mas que não julgávamos ser tão impactante.

Um dia no 7º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio (CNMA) é, nesse sentido, uma experiência transformadora. A energia, o engajamento, o desejo de aprender e de compartilhar demonstrado por mais de 2,5 mil mulheres de todos os cantos do Brasil reunidas em São Paulo são um indicativo de que a presença feminina no campo é a força motriz de uma nova era no setor.

Não poderia haver cenário melhor para receber a primeira edição presencial da série Vozes Responsáveis, organizada pela Produzindo Certo. Desta vez, foram as Vozes Responsáveis Femininas, um projeto viabilizado por uma valiosa parceria com a Nutrien Soluções Agrícolas, anfitriã do evento em seu espaço Conectadas pelo Agro.

E que vozes ouvimos lá! Oito mulheres em duas rodas de conversa, mais algumas dezenas na plateia, ávidas por serem ouvidas. Em dois blocos distintos, soltaram sua voz, trazendo experiências e desafios de sua vivência no agronegócio responsável e encorajando tantas outras a seguir por esse caminho.

A DORÇA FEMININA DENTRO DAS PORTEIRAS

Na primeira hora de evento, três produtoras, vindas de diferentes estados, ensinaram que os primeiros passos dessa jornada podem parecer assustadores, mas muitas vezes trazem surpresas positivas.

“Quando fizeram o primeiro diagnóstico, vi que não era tanta coisa que eu precisava fazer, eu já estava no caminho certo”, contou a agricultora Cláudia Sulzbach, proprietária da Fazenda Laruna, de Balsas (MA).

“O maior desafio é sair da zona de conforto e seguir na busca do conhecimento”, reforçou Renata Cardoso Salatini, proprietária da Fazenda Maria Júlia, de Paragominas (PA).

A decisão das produtoras abriu as porteiras de um novo mundo e elas precisaram levar nessa viagem muita gente junto. “Quando a gente entra em um processo de certificação, uma nova cultura começa a ser implementada”, disse Wendy Peeters, sócia da Fazenda Vargem Grande, de Montividiu (GO).

Assista na íntegra ao primeiro bloco do Vozes Femininas Responsáveis.

Engajar equipes, por exemplo, é uma missão permanente e, todas concordam, nem sempre fácil. “É um caminho de formiguinha, mas que leva longe”, completou Wendy.

Os resultados não são imediatos. “A sustentabilidade é uma jornada, não é para fazer tudo de uma vez, mas tem de ser feito. É uma melhoria contínua, que vai evoluindo em todas as fazendas”, destacou Rita Moreno, gerente de sustentabilidade da Nutrien.

Conquistas surgem ao longo do trajeto, renovando o ânimo para prosseguir. Claudia relatou que, já no início do processo de adequação de sua propriedade em busca de uma futura certificação socioambiental, com o acompanhamento da Produzindo Certo, o gerente de sua conta, que acompanhou de perto o movimento, melhorou sua condição de crédito. “Só o fato de já estar trabalhando para ser certificada já te dá um up! Já está valendo a pena”, resumiu.

Renata apontou outro benefício na busca de uma produção ainda mais responsável: “Quando a fazenda trabalha de maneira correta e segue as normas, traz mais segurança ao produtor. Ele passa a trabalhar de maneira mais leve”.

COM A PALAVRA, AS ESPECIALISTAS

A experiência dessas produtoras tem valor inestimável para quem tem a missão de ampliar o alcance da adoção das boas práticas agrícolas e socioambientais nas fazendas. No segundo bloco do Vozes Responsáveis Femininas, especialistas de diversas áreas destacaram a importância de levar informação aos produtores para que eles possam tomar decisões mais embasadas.

Assista ao segundo bloco do Vozes Responsáveis Femininas.

“Temos a oportunidade de ajudar o agricultor a entender o valor daquela agricultura sustentável que ele já faz e de contribuir para que ele faça ainda melhor”, afirmou Catharina Pires, Head de Assuntos Corporativos da Nutrien, uma das participantes dessa conversa.

A visão da oportunidade com a também está se cristalizando em setores que antes viam em primeiro lugar riscos da atividade agropecuária. E essa transformação, segundo disse Beatriz Domeniconi, especialista em ESG no Agronegócio no Itaú BBA, se deve à compreensão maior, inclusive no setor financeiro, do trabalho feito dentro das fazendas.

“O agro não precisa optar por ser sustentável ao invés de crescer. No agro, as duas coisas caminham absolutamente juntas. Quanto mais produtivo eu sou, quanto melhor utilizo os recursos naturais, sociais e financeiros, mais sustentável em sou”, disse.

De fato, a conversa no painel girou em torno da percepção de que, uma vez que o produtor está engajado na sustentabilidade, aumenta a sua percepção em torno de outros ganhos, além dos socioambientais. A propriedade que decide percorrer a jornada do agro responsável, por consequência, vai ter melhor gestão, ser mais eficiente, mais produtiva.

Daniela Garcia, CEO do Instituto Capitalismo Consciente Brasil, conclamou as mulheres do agro a se engajarem cada vez mais como líderes positivas, ampliando sua participação em diversas frentes. “A agenda verde brasileira pode ser uma potência. A gente pode ser um país absolutamente protagonista nisso, mas para isso precisa do envolvimento do agro”, destacou.

Quase ao final do evento, a participação da presidente do Sindicado dos Produtores Rurais de Itabirito e Ouro Preto (MG), Tatiana Minardi, que estava na plateia, demonstrou bem como isso pode ser possível e já está em curso. Ela pediu a palavra para sugerir a criação de uma “Escola de Sustentabilidade para produtores rurais”, a exemplo do que a Nutrien já realiza para suas equipes.

A sugestão, de imediato, virou um compromisso de todas nós para que a conversa continue e gere frutos. E foi selada com um brinde, com a alegria e a energia própria das mulheres do agro.

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