
Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Uma semente pode até parecer pequena, mas é nela que nasce a grandiosidade de uma safra. O universo desses materiais carrega uma vastidão de termos que compõem o nosso guia das sementes, mas que costumam causar confusão na cabeça de muito produtor, o que pode atrapalhar os processos da produção.
Dados da Embrapa reforçam que a semente representa o insumo com maior valor agregado na agricultura. Isso ocorre porque ela carrega a programação biológica da planta. Assim, a capacidade de resposta ao manejo, ao clima e ao solo depende diretamente da qualidade do que foi semeado.
Seja ela crioula, híbrida, transgênica ou de outros tipos, cada variedade carrega características próprias de genética, vigor, adaptação e até de representatividade social.
Diante disso, dominar esses conceitos com o auxílio de um guia das sementes ajuda a evitar erros no planejamento e assegura que o investimento no campo esteja alinhado aos objetivos do produtor.
Domine o vocabulário técnico com o nosso guia das sementes
1. Semente de Variedade (ou de Polinização Aberta)
As sementes de polinização aberta são aquelas que mantêm as características da planta mãe quando multiplicadas com os cuidados adequados de armazenamento, ou seja, são “fiéis ao tipo”. Essas características permitem que o agricultor armazene parte da produção para utilizar no ciclo seguinte pelo fato de não haver variabilidade entre as gerações.
Dentro deste grupo, há o destaque para as sementes crioulas. Elas são mantidas por famílias, comunidades tradicionais e povos indígenas, possuindo traços fenotípicos reconhecidos localmente. Em diferentes regiões do Brasil, recebem nomes como “semente da independência” ou “semente da gente”. Esse trabalho de preservação contínua nas propriedades garante a variabilidade genética e a autonomia das comunidades locais.
2. Vigor Híbrido (Heterose)
O vigor híbrido é um dos parâmetros do melhoramento genético moderno. Ele ocorre quando o cruzamento entre linhagens distintas resulta em uma descendência com desempenho superior ao de ambos os pais.
3. Semente Híbrida (F1)
Produzidas a partir de polinização controlada, as sementes híbridas combinam atributos desejáveis de duas linhagens puras. Essa combinação gera o vigor máximo na primeira geração (F1). Mas, para manter esse padrão de rendimento e estabilidade, o produtor precisa adquirir sementes novas a cada safra, pois a eficiência genética não se mantém de forma plena nos grãos colhidos.
4. Geração F2
A geração F2 surge quando se tenta plantar os grãos resultantes de uma lavoura híbrida (F1). Esse processo rompe a estabilidade alcançada no laboratório e faz com que características recessivas voltem a aparecer. O resultado prático é a perda da uniformidade: as plantas crescem em ritmos e tamanhos diferentes, o que atrapalha o manejo e a colheita, além de reduzir a resistência natural a pragas e doenças.
5. Semente Transgênica (OGM)
A transgenia utiliza a engenharia genética para inserir genes de outras espécies no DNA da planta. Essas sementes, conhecidas como Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), recebem atributos que não seriam alcançados pelo melhoramento convencional em curto prazo. No Brasil, o cultivo de soja, milho e algodão transgênico passa pelo crivo da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).
As modificações mais frequentes buscam:
– Resistência a insetos;
– Tolerância a herbicidas e
– Aprimoramento do valor nutricional.
6. Biotecnologia Agrícola
O uso de técnicas moleculares para modificar organismos vivos mudou a escala da produção brasileira. A biotecnologia engloba desde a seleção de genes específicos até a manipulação direta do DNA, assim oferecendo ferramentas para que o campo lide com gargalos logísticos e biológicos.
7. Tratamento de Sementes Industrial (TSI)
O TSI consiste na aplicação de camadas de produtos químicos e/ou biológicos (fungicidas, inseticidas, inoculantes, etc.) com o fim de proteger a semente contra pragas e doenças do solo e estimular seu desenvolvimento inicial. Essa nutrição localizada permite um arranque vigoroso da cultura, estabelecendo raízes mais profundas e resistentes para enfrentar o ciclo que se inicia.
8. Semente Grafitada
Você já deve ter visto aquela semente com cor cinza metálica, certo? Esse fenômeno ocorre devido à técnica do acabamento grafitado. O grafite atua como um lubrificante seco, reduzindo o atrito durante o escoamento nos mecanismos da plantadora. Além disso, durante o processo, também são aplicados fungicidas e outros insumos para aumentar a proteção da semente.