
Em entrevista ao portal da Produzindo Certo, Eduardo Bastos, CEO do Instituto Equilíbrio, aponta os focos prioritários para promover a sustentabilidade no agronegócio em 2026, após um ano de avanços consolidados por reconhecimentos como o Prêmio Economia Verde 2025, entregue pela Câmara dos Deputados como mérito por unir ciência, inovação e diálogo no campo.
Amplamente reconhecido pela atuação no campo da sustentabilidade no Brasil, o Instituto é um dos parceiros estratégicos da Produzindo Certo para fomentar a implementação de boas práticas socioambientais no agronegócio.
A agenda agroambiental de 2026
Ao projetar os desafios e as oportunidades para 2026, Bastos destaca três temas centrais: o combate às inseguranças alimentar, climática e energética; o impacto da geoeconomia nos fluxos comerciais e o posicionamento do Brasil como protagonista global entre a COP30 e a COP31. Segundo o executivo, o país tem o espaço necessário na agenda de agricultura tropical para se apresentar como solução climática, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e gerando renda extra com créditos de carbono, sem interromper a oferta global de alimentos.
Transparência como passaporte comercial
Com o avanço de acordos internacionais e as novas tarifas impostas unilateralmente por diversos países, a exposição do Brasil no cenário global será ainda maior. Para Bastos, o crescimento das exportações e o acesso a mercados premium de alimentos e biocombustíveis estão condicionados à transparência de dados.
“Não iremos crescer muito mais em exportações e acesso aos mercados globais sem transparência e a consequente rastreabilidade”, afirma, reforçando que o uso de protocolos rigorosos de verificação é um caminho sem volta para afastar riscos de greenwashing e garantir redes de fornecimento seguras.
Sustentabilidade com pragmatismo
O Instituto Equilíbrio nasceu com a missão de avaliar riscos e oportunidades da transição climática sob um olhar pragmático, buscando modelos que equilibrem as prioridades econômicas e ambientais.
Para Bastos, o sucesso dessa jornada depende da conexão direta entre o que é planejado nos gabinetes e o que ocorre de fato nas propriedades rurais. “Não existe transição sem a implementação de boas práticas no campo e não adianta criar políticas públicas incríveis sem o lastro da realidade”.
Nesse contexto, a integração entre a inteligência estratégica do Instituto e a verificação técnica da Produzindo Certo cria um ambiente de suporte robusto tanto para empresas quanto para produtores. A parceria foca em converter exigências de mercado em caminhos viáveis para o desenvolvimento sustentável.
Avanço sustentável no agronegócio como ativo financeiro
Para que a transformação das cadeias seja efetiva, é preciso convencer o produtor na ponta de que a sustentabilidade é um ativo financeiro e não apenas um custo de conformidade burocrática.
Bastos utiliza o termo “Walk the talk” – “entregar o que promete”, em português – para explicar que a confiança no campo cresce quando as oportunidades se materializam.
Ele cita o exemplo do leilão do EcoInvest, que mobilizou mais de R$ 30 bilhões para recuperação de áreas degradadas, e aponta projetos apoiados pela Produzindo Certo que envolvem transações superiores a R$ 100 milhões como prova de que há recursos disponíveis para quem vai além do cumprimento legal.
“Os casos reais de produtores que avançaram nas boas práticas já mostram que há ganhos, seja de produtividade, seja de gestão ou mesmo de acesso a melhores recursos financeiros”, conclui.