
Existem trajetórias que parecem desenhadas pelo destino, onde cada passo dado na infância prepara o terreno para uma atuação profissional de impacto. Para Edson Augusto, hoje aos 29 anos, o horizonte sempre teve o contorno das árvores e o cheiro da terra molhada.
Natural de Pontalina, no interior de Goiás, ele cresceu em uma cidade pequena onde a vida pulsava no ritmo das fazendas. Foi ali, entre as lidas de seus avós e o trabalho de seu pai na pecuária, que Edson entendeu que o campo é um ecossistema de relações que exige cuidado e respeito.
Essa conexão com a natureza, no entanto, não era apenas intuitiva; ela possuía uma base intelectual sólida dentro de casa. Filho de uma professora de escola pública e bióloga, Edson cresceu ouvindo sobre a vida sob uma visão científica e educativa.
Essa herança materna, misturada à vivência prática do pai com o gado, criou o equilíbrio perfeito entre o saber técnico e a realidade da porteira para dentro. Não à toa, quando chegou o momento de escolher um caminho, as trilhas e o meio da floresta falaram mais alto, conduzindo-o à graduação em Engenharia Florestal na Universidade Federal de Goiás (UFG) em 2014.
A jornada acadêmica: do coração da Amazônia aos Alpes suíços
A formação de Edson, contudo, estava longe de se encerrar nos limites do Cerrado. Movido por uma curiosidade inquieta e pelo desejo de entender o papel das florestas no equilíbrio global, ele buscou o pulmão do mundo.
Em Manaus, viveu dois anos dedicados ao Mestrado em Ciências de Florestas Tropicais pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia). Ali, integrou o projeto internacional Next Generation Ecosystem Experiments (NGEE-Tropics), modelando como as florestas responderão às mudanças climáticas até o final do século.
Essa imersão em dados e fisiologia vegetal deu a Edson a visão macroscópica necessária para entender que a sustentabilidade é uma urgência que não conhece fronteiras.
Mas para quem busca transformar o mundo, entender o clima era apenas metade da equação. Era preciso entender as pessoas e as políticas que regem o nosso solo. Foi essa vontade que o levou à Europa, para um segundo mestrado na ISARA, em Lyon e Vallorbe, na Suíça.
Entre as propriedades rurais francesas e as florestas de manejo da Suíça, Edson investigou o impacto das políticas públicas na conservação dos biomas brasileiros e aprendeu como as cooperativas europeias lidam com desafios ambientais.
Essa bagagem internacional, riquíssima em teoria e prática, poderia tê-lo mantido em gabinetes acadêmicos, mas o chamado do campo e das suas raízes falou mais forte.
O encontro com a Produzindo Certo
Em outubro de 2023, esse caminho de especialização encontrou seu destino na Produzindo Certo. O interesse surgiu através de uma amiga que já atuava na empresa e compartilhava a visão de um agronegócio transparente e responsável.
Edson viu na PC a oportunidade de aplicar sua expertise técnica diretamente onde a mudança acontece: na propriedade rural. Desde então, ele presta serviços à Produzindo Certo tanto nas visitas para coleta de dados em campo quanto nas análises dessas informações.
Para Edson, o maior aprendizado nesse processo é a capacidade de adaptação. “Atendemos produtores de diferentes perfis, desde propriedades altamente tecnificadas até produtores que têm outras formas de acesso ao conhecimento técnico. Nosso papel é ajustar a linguagem e a forma de comunicação para que a informação faça sentido e seja realmente útil para cada realidade”, reflete.
Um dos momentos que mais marcou sua trajetória na PC ilustra bem essa troca humana. Ao visitar uma produtora preocupada com a recuperação de uma área degradada, Edson revelou sua formação como engenheiro florestal. O que se seguiu foi uma aula de campo sobre as fitofisionomias do Cerrado e os processos de restauração de uma vereda. “Ela se encantou e eu me encantei. Percebi que ela colocaria em prática tudo o que conversamos”, relembra com orgulho.
O homem por trás do especialista: sabores e melodias

Fora do trabalho, Edson mantém a mesma busca pelo equilíbrio e pela autenticidade. Embora passe boa parte do tempo viajando a serviço, suas férias e folgas são reservadas para o isolamento em trilhas, cachoeiras e rios. “Não gosto de grandes cidades”, confessa. Seu refúgio é o contato com o “nada” que, para ele, é onde tudo se encontra.
Essa busca pela essência também se reflete em sua trilha sonora: um apaixonado por MPB, Edson encontra inspiração nas vozes de Maria Bethânia, Caetano Veloso e Rita Lee.
E se o assunto for a cozinha, o especialista dá lugar ao chef de família. Para Edson, cozinhar é a terapia que dissolve o estresse da rotina. Sua gastronomia é um reflexo de sua vida: uma mistura entre a cozinha goiana raiz – com o inconfundível frango com pequi no fogão a lenha – e a sofisticação de um risoto ou da culinária francesa que ele aprendeu em Lyon.
É nessa alquimia de sabores, tradição e técnica que Edson recarrega as energias para os seus próximos desafios.
Olhando para o futuro, Edson Augusto enxerga um caminho de crescimento contínuo na sustentabilidade, deixando a mensagem de que, se você deseja seguir passos semelhantes ao dele, o caminho é a especialização e a responsabilidade com a informação.