Crédito verde em construção: A busca por equilíbrio entre discurso e prática - Produzindo Certo
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Crédito verde em construção: A busca por equilíbrio entre discurso e prática

O ano de 2025 foi marcado mais pela necessidade de ajuste do que por celebrações no campo financeiro do agro. Em meio a juros altos, crédito restrito e margens de lucro cada vez menores, o tema das finanças verdes ganhou força no debate, mas o avanço efetivo ainda é tímido. 

A editoria Finanças Verdes do Portal da Produzindo Certo acompanhou esse movimento, destacando que, embora o discurso sobre sustentabilidade financeira esteja mais presente, a transição para modelos realmente inovadores precisa avançar.

As pautas do ano mostraram um setor em busca de equilíbrio entre intenção e execução, com produtores tentando conciliar planejamento financeiro, gestão de risco e práticas ESG em um ambiente econômico que continua exigindo bastante cautela e planejamento.

Prevenção e transparência

Uma das discussões centrais da editoria logo no começo do ano foi a importância da transparência e da prevenção como ferramentas para fortalecer o acesso ao crédito. A Produzindo Certo destacou que operações bem estruturadas, com dados confiáveis e práticas alinhadas a padrões ESG, têm mais chances de atrair investidores e acessar linhas diferenciadas.

Esse movimento é impulsionado por um mercado global cada vez mais atento à rastreabilidade e aos impactos socioambientais das cadeias produtivas. No agro, a adoção dessas práticas não é apenas uma exigência de compliance, mas uma oportunidade concreta de agregar valor ao produto e abrir portas para mercados mais exigentes.

Outro ponto forte da editoria ao longo do ano foi a discussão sobre como medir e valorizar impacto socioambiental. O monitoramento deixou de ser uma ferramenta acessória e passou a ser um ativo estratégico nas operações de crédito sustentável.

Ao quantificar resultados ambientais e sociais, como conservação de áreas, práticas regenerativas e uso eficiente de insumos, o produtor consegue comprovar resiliência e gerar confiança no mercado financeiro. 

Essa postura ativa tende a fortalecer as negociações e melhorar as condições de financiamento, reduzindo custos de capital e abrindo espaço para pagamentos por serviços ambientais e linhas verdes de crédito.

Oportunidades e gargalos

O Plano Safra 2025/26 foi outro destaque recorrente. Se por um lado o governo anunciou incentivos para produtores com práticas sustentáveis, incluindo descontos de até 1% nos juros, por outro, o crédito disponível foi considerado insuficiente para atender à demanda crescente do setor.

A editoria contextualizou esse cenário com dados e análises sobre a importância do planejamento financeiro e do acesso antecipado às linhas de custeio e investimento. Com juros elevados e volatilidade no mercado, produtores mais preparados conseguiram proteger margens e garantir estabilidade.

Na reta final do ano, o aumento expressivo dos pedidos de recuperação judicial no agro acendeu um alerta. Com juros altos, volatilidade cambial e margens reduzidas, muitos produtores recorreram ao instrumento jurídico para reorganizar dívidas. De acordo com dados da Serasa Experian, os pedidos cresceram 31,7% no segundo trimestre de 2025.

Para o CFO da Produzindo Certo, Thiago Brasil, a solução não pode ser tratada de forma simplista. “A recuperação judicial não é mágica. Ela exige preparo, planejamento e transparência. Algumas portas se fecham com a RJ, então o plano precisa ser muito consistente. O foco é a continuidade do negócio no médio e longo prazo, não o alívio inicial com a redução do endividamento”, destacou.

Uma rota de futuro

Enquanto uma parte do setor enfrenta as consequências de decisões financeiras mal estruturadas, outra avança com inteligência estratégica, apostando em modelos sustentáveis de financiamento. Operações verdes vêm sendo reconhecidas por bancos e investidores como mais seguras e resilientes, reduzindo riscos e ampliando oportunidades de mercado.

Ao longo de 2025, a editoria Finanças Verdes mostrou que sustentabilidade não é um discurso paralelo à economia, mas parte central dela. No agro brasileiro, cada vez mais, boas práticas no campo devem caminhar lado a lado com uma gestão financeira sólida.